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Alagoas marca presença no Jockey Club do Paraná

*Reportagem para o web Jornal “Capital da Notícia Zona leste” – Setembro/2009

Por Larissa Ilaides

Frequentadores assíduos do Jockey Club do Paraná (JCPR), no bairro Tarumã de Curitiba, talvez já tenham percebido. Porém, não é de conhecimento comum que o estado de Alagoas esteja tão presente dentro do clube. Em média, cerca de 50 cuidadores de cavalos são alagoanos. E o que mais chama atenção é que a maioria compartilha o mesmo sobrenome, isto é, tem alguma ligação familiar, ou já se conheciam em seu estado natal. Esta migração ocorre anos a fio.

CONEXÃO TARUMÃ – DUBAI

São pessoas simples, de alegria contagiante que cuidam dos treinados cavalos de raia. A migração ocorre de maneira muito informal. “A gente vai um puxando o outro”, conta Clóvis dos Santos, 29, que está no Jockey há quatro anos. Quando surge uma vaga, eles se contatam e na maioria das vezes, dá certo. A principal motivação da mudança para o Paraná é a busca por um novo horizonte de trabalho, de vida e a carência de oportunidades em Alagoas. Silvano Gomes Clemente tem apenas 23 anos, mas já passou por experiências inesquecíveis. Dentre elas, está a viagem à Dubai. Devido a etapas mundiais de turfe, ele já pisou em terras árabes duas vezes, e agora se prepara para a terceira viagem, que será em dezembro. “Cuidar não é trabalho fácil, mas devo tudo que tenho a essa profissão”, afirma com grande orgulho.

MEU MUNDO NUM JOCKEY

A rotina de um cuidador começa cedo, antes do Sol raiar. Por volta das 5 horas e trinta da madrugada começam a limpar as cocheiras, depois o dia se resume em dar banho nos cavalos e levá-los para galope na raia específica. Trabalham até as 18 horas e assim que acaba o expediente o rumo é certeiro: ir para a arquibancada, assistir, torcer, tomar uma cerveja e apostar por simples diversão – pequenas quantias quando comparadas às maiores apostas. Além de trabalhar no clube, os cuidadores nordestinos moram no Jockey em alojamentos planejados. Quando indagados se conhecem a cidade que os abriga, simplesmente respondem “não muito”. O lazer não é muito variado. Vez em quando vão á balada sertaneja Victoria Villa (que fica ao lado do clube) ou aos bailões arrasta-pé da redondeza. Em resumo, é a vida que gira em torno do JCPR.

RELAÇÕES SALARIAIS E AFINS

A estrutura do JCPR é bem grande. Ao todo, são 59 grupos de cocheiras. Cada uma delas pode empregar até 5 cuidadores.

59 cocheiras x 5cuidadores para cada Total : 295 cuidadores

Contudo, nem todas as cocheiras estão em uso. Caso estivessem,o clube teria um total de 742 animais. A realidade é bem diferente. Há em todo o clube, aproximadamente 60 cuidadores. Desse total, mais de 40% é nordestino de Alagoas. “É o Jockey inteiro”, conta Gerson Luiz, 19, que freqüenta o clube desde os sete anos de idade.

Em comparação com a realidade salarial de Alagoas, a renda mensal dos cuidadores do Jockey é relativamente alta. Recebem por volta de novecentos reais mais benefícios.

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